“Nosso trabalho tem sido fugir desse estereótipo e trabalhar o respeito a essa diversidade, o resgate também dessa cultura que está inserida na nossa” destaca educadora do CMEI Pedro Feu Rosa sobre ensino afro-indígena na comunidade
Lilian Lovatti, professora da instituição, reforça a importância da preparação profissional e o diferencial que a formação plural desde as séries iniciais resulta na vida dos pequenos
Reportagem: Hugo Dadalto
É no multicolorido dos tapetes que revestem o chão das salas do CMEI Dr. Pedro Feu Rosa, no Bairro Bonfim, em Vitória, que a educação intercultural e indígena ganha vida. Lilian Lovatti, educadora da instituição, é uma das profissionais que compartilha com os pequenos muito além do que a teoria dos livros didáticos ensina sobre esse assunto. No espaço, a preparação da professora começa bem antes de chegar à sala de aula. É entre as linhas dos livros e formações junto à Secretaria Municipal de Educação de Vitória que todo conhecimento para trabalhar a temática é adquirido.

Guiados pela cultura capixaba como norte para as atividades do projeto, Lilian conta que a proposta é combinar aspectos afrodescentes e indígenas presentes na cultura do Estado e levá-los até os alunos. Para alcançar a meta traçada, a educadora lança mão de uma série de ferramentas que ajudam na hora de planejar cada uma das ações da iniciativa. Documentários, brincadeiras lúdicas e elementos naturais do próprio universo indígena foram alguns dos instrumentos utilizados tanto pela orientadora quanto pelos pequenos para mergulhar de vez no universo Tupinikim.
Nesse compasso de brincar e aprender sobre as manifestações afro-indígenas do ES, a arte também auxilia na preparação dos conteúdos que a criançada aprende durante as aulas no CMEI. Lilian lembra que foi durante uma troca de saberes com a artista Guaraní Ará Martins que ela ampliou os horizontes quando o assunto é desmistificar e potencializar o intercâmbio entre os saberes dos povos indígenas com o CMEI e mudar a perspectiva pessoal em relação a esses indivíduos.
“Eu participei de uma exposição da Ara Martins, que é uma indígena guarani, artesã, e aí por meio de uma conversa que nós tivemos ela me abriu essa mente para trazer outros elementos para a sala. E por meio da conversa dela é que eu fui direcionada a desenvolver o meu trabalho. Eu vim preparando as crianças para receber esse grupo [Curumins Guerreiros], um grupo que toca Congo, que também é um elemento da cultura que nós abordamos no projeto, para que antes de recebê-los eles pudessem ver, através de vídeos, e do próprio contato, como era o Congo indígena, os instrumentos utilizados”.
Lilian Lovatti, educadora e Idealizadora do projeto
Leia: Quando os Curumins Guerreiros encontraram os pequenos do Bonfim

O trabalho de Lilian é parte de um esforço coletivo de 89% das escolas brasileiras que contam com projetos de combate a discriminação de raça, gênero, orientação sexual, econômica, social e valorização da pluralidade étnica do país. O número é do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025. Segundo o panorama, no Espírito Santo essa cobertura de ensino sobre a temática chega à 100%. No mesmo índice, o Estado está entre os 89% dos que adotam práticas voltadas para o ensino de temáticas afro-indígenas e o combate às múltiplas manifestações do racismo, tendo a escola como o suporte para disseminar esses conteúdos.
E é na ponta, bem na sala de aula, que o resultado da dedicação e cuidado do preparo das atividades do projeto é sentido. Lilian destaca que o brilho nos olhos e a curiosidade dos alunos com as indumentárias e história dos indígenas, além da aprendizagem de cada um dos pequenos é a recompensa por cada um dos planejamentos feitos. Ouça um breve relato da professora sobre o contato dos alunos com os Curumins Guerreiros da Aldeia de Caieiras Velha.
- Ser plural, ser cidadão - 8 de janeiro de 2026
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- Quando os Curumins Guerreiros encontraram os pequenos do Bonfim - 8 de janeiro de 2026


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