Realizado no final do ano passado, o projeto “Elas no Corre” deixou um legado na carreira e na vida das participantes, que hoje colhem os frutos do aperfeiçoamento profissional e acolhimento pessoal encontrados durante as aulas. A turma, formada por dez mulheres de diversas idades, contou com empreendedoras de diversas áreas e produtos, tais como gastronomia, confeitaria, decoração de festas e serviços de comunicação digital. Realizado no Morro do Quadro, pelo Instituto Quadro da Esperança em parceria com o Tec Perifa, o projeto ofereceu cinco formações com mulheres de referência no mercado, dedicadas a desenvolver os negócios das alunas participantes. As aulas ofereceram conhecimentos como organização e planejamento estratégico de negócios; organização financeira, impostos e procedimentos como abertura de CNPJ; informática básica; comunicação digital; fotografia e inglês.

Com isso, o projeto tocou em uma questão que afeta boa parte das mulheres empreendedoras e periféricas: o reconhecimento de si mesmas enquanto donas de um negócio. Com as formações do projeto, elas desenvolveram mais ferramentas, conhecimentos, autonomia e segurança de si mesmas para aprimorar seus negócios. Embora várias participantes já tivessem atuando nas vendas de produtos e serviços próprios, a autoestima e segurança de si mesmas era um desafio comum na realidade delas, como conta a jovem Mikele Arruda, que desenvolve seu negócio de confeitaria e salgados: “Aprendi que tenho meu negócio e descobri como precificar e valorizar mais meus produtos. Aprendi como devo me apresentar às pessoas. Percebi que todo mundo começa lá do zero, como todas nós estamos começando. Aprimorei muito da fotografia, da comunicação e do inglês”.
Como apontou o coordenador do projeto, Renato Moulin, o empreendedorismo nas periferias enfrenta o desafio da falta de acesso a ferramentas digitais, a avanços e inovações para o crescimento dos negócios. Por isso, o projeto contribuiu para que as mulheres alcançassem um crescimento e inovação dos seus negócios, para levá-las além das vendas pontuais e da propaganda do “boca a boca” na comunidade.
“Participar do Elas no Corre foi um desafio e também uma dádiva. Eu não fazia ideia de como ia estruturar meu empreendimento e nessa formação eu me conscientizei, entendi que preciso pensar como empresa e gerenciar isso. O projeto me deu um pensamento empresarial e ferramentas para essa nova experiência. Até então, eu pensava em mim mesma apenas como funcionária”, contou Rayane Guerra, que realiza serviços de comunicação e redes sociais para empresas.

Voltada para mulheres de todas as idades, o projeto resultou ainda em um espaço de acolhimento, colaboração e fortalecimento entre empreendedoras com distintas idades, realidades e áreas de atuação. Somando no aprimoramento profissional, a humanização e a sensibilidade foram fatores fundamentais, que enriqueceram as trocas entre as mulheres, tal como ressalta Brieny Romualdo, voluntária do Instituto e participante do projeto: “O curso foi protagonizado por mulheres e ficou marcado por todas nós. Acredito que cada um de nós saiu com um sentimento de satisfação e amizade uma com a outra. Continuamos com nosso grupo, dialogando com o inglês juntas e ajudando umas às outras nos seus negócios”.
Mãe de uma menina em seu primeiro ano de vida, a participante Rayane levou a maternidade como uma questão constante na sua vida profissional, e destacou a importância do acolhimento das mães na formação e no mercado de trabalho: “Muitos cursos não conseguem compreender a realidade das mães, e o Elas no Corre me acolheu como mãe. Muitas vezes eu tive que levar minha filha e as facilitadoras foram muito compreensivas. Foi um currículo riquíssimo, e além do conteúdo, a humanização na forma como esse conteúdo foi transmitido pra gente”.

Assim, Rayane encontrou nas formações um novo caminho para renovar sua carreira e seus sonhos. Em janeiro de 2025, ela abriu mão de um cargo público pela necessidade de se dedicar à função de mãe e ao trabalho doméstico. Desde então, encontrou o empreendedorismo como uma solução de fonte de renda e de autonomia para conciliar com sua rotina em casa. Assim, ela começou a prestar serviços de comunicação e divulgação para redes sociais, mas ainda tem buscado se aprimorar e se especializar na área.
Matéria: Lais Rocio
- “Elas no Corre”: aulas fortaleceram autoestima e colaboração de mulheres empreendedoras - 15 de março de 2026
- O Transporte Público como meio de exclusão para moradores do Território do Bem - 12 de março de 2026
- Corpo em movimento, território em transformação - 12 de fevereiro de 2026


Comment here