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Coletivos, catadores e moradores promovem educação ambiental

A tarefa da educação ambiental e da busca por novos hábitos que visam a preservação dos recursos naturais promove a união e a integração de entre coletivos e comunidades.

Exemplo disso foi a manhã do último sábado, 14 de agosto, data que celebramos o Dia Lixo Zero e o Dia de Combate à Poluição. O Coletivo Lixo Zero Vix realizou dinâmicas e atividades educativas e ambientais na Comunidade Jesus de Nazareth.

E consciente da importância fundamental da reciclagem nesta tarefa, a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Vitória (Amarv), instalada em Consolação, no Território do Bem, integrou o evento e fez a separação e coleta dos materiais recicláveis do mutirão de limpeza, realizado durante o tour pela comunidade.

Batizada de “Pit Stop da Reciclagem”, o evento reuniu diversos projetos e organizações sociais, além de moradores da comunidade. Palestras, demonstrações de boas práticas ambientais, mutirão de coleta de resíduos e um tour pelo morro, marcaram o Dia Lixo Zero.

 “Todos os coletivos Lixo Zero do Brasil promoveram atividades neste dia.  Nosso objetivo é promover individual e coletivamente boas práticas voltadas para o consumo consciente, separação e destinação correta dos resíduos e para que as pessoas incorporem, no seu dia a dia, uma vida com menos resíduos”, afirmou a fundadora e embaixadora do Coletivo Lixo Zero Vix, Grazielle Pirovani.

Segundo Grazielle a escolha de Jesus de Nazareth para realizar o evento deve-se ao engajamento dos próprios moradores para cuidar da comunidade. “E o Coletivo se preocupa em atuar na comunidade, com ações e projetos que atuem de forma preventiva em questões de impacto ambiental”.

E como os cuidados ambientais podem e devem começar em casa, o evento contou com a participação das nutricionistas Elen Almeida e Thanísia Ferraz, que demonstraram como é possível transformar sobras de alimentos, principalmente cascas de frutas e legumes, em receitas nutritivas e saborosas.

“Será que já olhamos para a casca da banana como um gostoso brigadeiro, ou a casca da melancia como um doce parecido com o de mamão, ou ainda a casca da abóbora como um apetitoso bolo? Tudo é alimento, a natureza não fez isso atoa”, afirmou Thanisia.

E quando não dá para reaproveitar os alimentos, a alternativa é a compostagem orgânica. Representantes do Projeto Composte Bem ensinaram como  fazer corretamente todo o processo da compostagem em casa,  a partir de cascas de frutas e verduras.

Participaram também dois projetos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Solares que desenvolvido no Centro Tecnológico (CT) que busca levar o conhecimento sobre a energia solar para as comunidades. E o Projeto Ecoceano, uma empresa junior de consultoria e educação ambiental do curso de Oceanografia.

Para Fernando Martins, morador e do Projeto Tour pelo Morro, que promove passeios turísticos pela comunidade, a atividade foi de muito aprendizado e conscientização sobre novas práticas que podem ser incorporadas ao cotidiano e que podem colaborar muito para a preservação ambiental.

“É uma ação muito gratificante e que contribui muito para uma visão nova que buscamos implantar na comunidade, de cuidados e boas práticas ambientais”, afirmou.

Lembranças

Para a presidente da Amarv, Maria Aparecida da Silva Pereira, voltar ao bairro Jesus de Nazareth foi além do compromisso de participar do Pit Stop. “Aqui foi onde se deu parte da luta pela organização dos catadores em Vitória”, relembrou emocionada.

Relembrando a caminhada, ela contou que a quadra de esportes onde aconteceu o evento, também foi onde os catadores, há quase 20 anos atrás, se reuniam para separar o material coletado e organizar a venda.

“São lembranças de um tempo muito difícil, não tínhamos sequer luvas e separávamos o material sem proteção.  Tudo ao ar livre, sem equipamentos. Aqui surgiu a Amariv (Associação de Catadores de Materiais Recicláveis da Ilha de Vitória)”, afirma.

Eram cerca de 25 catadores, moradores dos bairros São Pedro e Ilha de Santa Maria. Ela conta que a assistência aos catadores era pouca e o preconceito enorme. “Com muita luta, avançamos bem, mas temos muita caminhada pela frente”, afirma Cida.

A Amarv, assim como a Amariv e a Ascamare, participa do Projeto Catadores São Educadores, realizado pela Associação Ateliê de Ideias em parceria com a Prefeitura Municipal de Vitória, através da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Semcid) e Procon Vitória.

Marina Filetti
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