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Ana Clara une poesia, arte e militância em sua trajetória

Foto: @najuludolfo

Quem vê a Ana Clara pelo Bairro da Penha, logo pensa que ela é apenas mais uma jovem bonita entre tantas das nossas comunidades. Mas um breve bate papo com essa moça que tem um sorriso aberto de menina, vai descobrir uma mulher forte, talentosa, que sonha e luta para transformar as realidades, com as quais não concorda, através da arte.

Ana Clara Moreira tem apenas 23 anos e uma caminhada longa no universo da música, da poesia e no ativismo pelos direitos dos jovens e negros. “Eu tenho uma ligação forte com a arte e levo isso para os espaços onde atuo com o sonho de fazer outros jovens se apaixonarem também. Isso pode mudar a vida deles”, afirma.

Foto: @najuludolfo

Tudo começou muito cedo na vida de Ana Clara. Aos oito anos ela começou a frequentar as oficinas de musicalização do Instituto João XXIII. Foi lá que ela conheceu a maestra Alice Nascimento, uma influência fundamental na sua vida. Depois ela acompanhou a mestra que fundou o Instituto Todos os Cantos, em Itararé.

“A música já era uma realidade forte na minha vida e eu queria muito continuar”, afirma. O aperfeiçoamento foi acontecendo e hoje Ana Clara é a monitora do Núcleo de Canto, do Instituto. “Nesse Núcleo é tudo muito profissional e eu tenho que estudar muito para fazer a monitoria”, afirma. Ela ainda integra o Coral Algazarra e Coral do Instituto Unimed, ambos fomentados pelo Instituto Todos os Cantos, através dos quais já frequentou palcos pelo Espirito Santo e pelo Brasil afora.

A alegria sempre presente é outra marca dessa menina moça. E sorrindo muito ela conta sobre seu ativismo pelos direitos dos jovens e das mulheres da periferia. Para essa luta ela se integrou ao Núcleo Afro Odomodê, no Morro do Quadro, e ao Núcleo de Estudos da Mulher Preta (OBINRIN). Foi bolsista por um ano no projeto Ativa 027, uma ação do Centro de Referência da Infância e da Juventude (Ciedes-RJ) em parceria a Unicef.

Foto: @najuludolfo

“Neste projeto estudamos muito sobre política, direitos e políticas públicas para jovens e adolescentes, o que fortaleceu ainda mais minhas convicções de que trabalhar a auto-estima e os sonhos dos jovens através da arte e da cultura, pode produzir muitas coisas boas em suas vidas”. Afirma.

Através do Projeto Ativa 027 Ana Clara descobriu mais um talento seu, a poesia e agora integra o Grupo Empoete-se, um Slam de poesia jovem, periférica e popular. Neste novo espaço  ela formata suas experiências e emoções em rimas e versos poéticos. “o Slam é um encontro de jovens onde conversamos, trocamos afetos, aprendemos”, declara animada pronta para se desafiar novamente.

“A pele é um papel que se escreve com as mãos.

 Não cabe ao tempo, mas aos poemas que nela derem vida.

A pele troca de papel toda vez que um verso ganha vida.

 A vida é um papel de pele escrita de amassos e rasgados”

Ana Clara

Toda essa experiência adquirida na arte e na militância Ana Clara quer levar para o mundo da educação, pois a jovem do Território do Bem, nome que define como perfeito para o lugar onde sempre viveu com a mãe, Maria Lúcia Borges, mais conhecida por “Anitta”, está realizando mais um sonho: entrar para uma universidade pública e no curso de Pedagogia. “Esse sempre foi mais um sonho meu. Eu passava ao lado da Ufes e dizia: um dia eu vou estudar aí. E chegou o dia. Acredito no poder da educação para transformar o mundo”.

Ela só reclama que devido à pandemia, as aulas ainda não são presenciais. “Eu conto os dias para entrar de vez no espaço universitário”, finaliza.

Saiba mais sobre a Ana Clara através das redes sociais do Instituto Todos os Cantos e do seu Instagram pessoal @souanaclaraam

Marina Filetti
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