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Dia de luta dos catadores será comemorado com audiência pública na Câmara de Vitória

Associação de Catadores

07 de junho. Este é o Dia Nacional de Luta dos Catadores de Materiais Recicláveis. Estes trabalhadores e trabalhadoras, que exercem a importante tarefa de tirar das ruas materiais valorosos que seguem para a serem reciclados e reaproveitados, tem muito a comemorar, mas também muito a reivindicar.

Em Vitória a data será comemorada com uma audiência pública na Câmara Municipal na próxima sexta-feira (07), às 15 horas. Requerida pelo vereador Luiz Paulo Amorim (PV), a audiência vai reunir as três associações de catadores organizadas da cidade – Ascamare, Amariv e Amarv, além de representantes da Prefeitura de Vitória e organizações sociais parceiras destes trabalhadores como o Ateliê de Ideias.

“A atuação dos catadores de materiais recicláveis é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2002, segundo a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). A destinação correta do lixo significa gerar emprego e renda. Aquilo que chamamos de lixo sustenta centenas de famílias na Grande Vitória”, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vitória, vereador Luiz Paulo Amorim (PV).

A luta dos catadores

A luta e organização dos catadores de materiais recicláveis, antes chamados de catadores de lixo, surgiu como uma resposta à pobreza, à miséria e ao preconceito a que eram submetidos esses trabalhadores.  Para enfrentar tudo isso foi criado o Movimento Nacional de luta dos Catadores de Materiais Recicláveis.

Em Vitória, a primeira organização dos catadores surgiu no bairro Jardim da Penha, organizado pela Pastoral Social da Igreja São Francisco de Assis na década de 90. Dessa organização foi fundada a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Vitória (Ascamare), em 1999, uma organização que começou com apenas três catadores, mas que hoje tem 20 associados e manipula 80 toneladas de resíduos sólidos por mês.

Em 2005 foi criada a Associação de Catadores de Materiais Recicláveis da Ilha de Vitória (Amariv) que nasceu da união de dois grupos de catadores autônomos, um da ilha de Santa Maria e outro do Bairro Andorinhas.  Para Lúcio Heleno Barbosa dos Santos, atual presidente da Associação, o apoio da Caritas Arquidiocesana de Vitória e da Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura de Vitória, foi muito importante para o fomento da organização.

A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis do Município de Vitória (Amarv) é a caçula das três associações de catadores do município de Vitória. A entidade foi criada oficialmente há apenas 2 anos. Entretanto a ligação com o trabalho de coletar, separar e sobreviver do que para muitos é chamado “lixo” já vem de muito anos para a maioria dos associados da entidade.

Juntas as três associações separam e comercializam mais de 200 toneladas de materiais coletados no programa Coleta Seletiva do município de Vitória e empregam mais de 60 trabalhadores e trabalhadoras.

“Mesmo que parte da população reconheça o trabalho dos catadores, ainda enfrentamos o preconceito, ainda somos vistos  como “lixeiros” e não como profissionais que prestam um importante trabalho para cidade, retirando das ruas materiais de valor que, ficando ali, podem causar sérios danos ambientais e a saúde. São passos que precisam ser dados para melhorarmos as condições de vida nas cidades. O consumo e o descarte conscientes e adequados são urgentes se quisermos sobreviver neste planeta”, afirma Lúcio Heleno, presidente da Amariv.

Catadores são educadores

Se muita coisa mudou nestas décadas de luta dos catadores, muita coisa ainda precisa ser conquistada para quem está organizado e para aqueles que ainda sobrevivem da coleta autônoma nas ruas, onde as condições de trabalho são precárias e falta segurança para o exercício da atividade.

Visando ampliar as conquistas destes trabalhadores, a Associação Ateliê de Ideias está desenvolvendo o projeto Catadores são Educadores. Ele envolve as três associações na tarefa de promover consumo consciente e educação ambiental, ampliação e qualificação da coleta seletiva e a valorização e inclusão de trabalhadores  que atuam na coleta em associações ou diretamente nas ruas.

O projeto  acontece em parceria com a Prefeitura de Vitória, através do Fundo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (FMPDC) / PROCON/SEMCID . Oprojeto acontece em três etapas. A primeira delas é dedicada à educação ambiental. Na segunda etapa as associações vão realizar a coleta seletiva diretamente em condomínios, no comércio local, instituições públicas e outros espaços que tenham descarte de materiais recicláveis.

E na terceira e última etapa, o projeto vai trabalhar para incluir catadores autônomos, que fazem a coleta diretamente nas ruas, nas associações organizadas. O objetivo é contribuir para a sua segurança no trabalho e também melhorar a sua remuneração.

“É uma soma de esforços do Poder Público, com o Ateliê e as associações, para melhorar as condições de trabalho e renda dos catadores, promover o consumo consciente e contribuir para a sustentabilidade da cidade de Vitória. Acho que vamos aprender muito e alcançar bons resultados com esta iniciativa”, afirmou Leonora Mol, do Ateliê de Ideias.

 Saiba mais sobre as Associações e contribua com a qualidade de vida da sua cidade separando adequadamente os materiais recicláveis do lixo úmido. A cidade agradece!

Ascamare – Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Vitória – Rua ConstrutorCamio Gianordoli, 117 – Consolação – Vitória – ES (27) 99926-0560
Facebook – Ascamare Vitória

Amariv- Rua Dr. Arlindo Sodré, 660, Itararé – Vitória – ES -(27) 996892210  /  998850984 / 998082537
Facebook – Amariv Vitória

Amarv—Rua Joaquim Leopoldino Lopes, 580—Consolação – Vitória – ES (27) 997927980
Facebook – Amarv Vitória

Ateliê de Ideias – Rua Tenente Setubal, 93 – São Benedito – Vitória – ES (27) 3022-6190
Facebook – Ateliê de Ideias

Marina Filetti

Jornalista formada pela Ufes, com especialização em Gestão Cultural pelo Ifes/Ministério da Cultura. Atua a mais de 20 anos em projetos socioculturais, como a Varal Agência de Comunicação.
Marina Filetti

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