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Jovens abrem loja de pipas e chegam a vender 500 unidades por dia

O casal Wendel e Letícia transformaram o brinquedo da infância num negócio rentável e sonham com um local onde possam soltar pipas com segurança, um pipódromo. 

Dizem os poetas que a paixão é o que nos move. E foi a paixão por uma brincadeira de infância que virou esporte na adolescência, que agora se tornou um negócio rentável para um jovem casal de Itararé, no Território do Bem: a pipa.

O soldador Wendel Wellerson da Silva Freitas, de 22 anos, e a manicure Letícia Almeida  Félix, de 24 anos, chegaram ao Espírito Santo em janeiro deste ano, cheios de sonhos de trabalhar em suas profissões e construir uma vida nova. Só que logo se depararam com um problema, a pandemia do novo coronavírus, que afetou a vida de todos e os fez mudar de planos.

Aproveitando a habilidade natural não só de soltar pipas, mas também de confeccioná-las, Wendel, com o apoio da companheira, fomentou um novo negócio, a produção e comercialização do brinquedo que cruza os céus e faz a alegria de crianças, jovens e adultos

Hoje o casal produz e vende cerca de 500 unidades por dia, a um preço que varia de R$ 1,00 a R$ 5,00. Animados com os resultados, o casal, que antes produzia e vendia as pipas na própria residência, acaba de abrir uma pequena loja no bairro Itararé, em Vitória.

“Unimos o útil ao agradável, produzindo o brinquedo de que tanto gostamos e, com isso, garantindo o nosso sustento”, afirmam Wendel e Letícia.

Mudança

O casal é natural do Rio de Janeiro, foram morar em Minas Gerais, e em janeiro deste ano vieram para Vitória, a convite de um amigo.

Antes Wendel produzia as pipas para ele mesmo soltar, mas, por apelo dos amigos, começou a comercializá-las. Com as dificuldades de encontrar trabalho na capital capixaba, o amigo sugeriu que Wendel intensificasse a venda das pipas.

“Inicialmente eu fazia outras atividades durante o dia e trabalhava à noite na confecção das pipas, e atendia apenas as encomendas. Aos poucos, com a divulgação feita pelos próprios amigos, a pipa se tornou nossa principal fonte de renda”, afirma Wendel.

Letícia continuou a trabalhar em salões de beleza. Mas, com o aumento do trabalho  do companheiro, ela também deixou as atividades de manicure e passou a colaborar na produção e venda das pipas.

Para divulgar o trabalho, Wendel participa de festivais e campeonatos em diversos estados. “Eu fui aprendendo com ele. Nós produzíamos durante toda a semana, e, nos finais de semana, Wendel ia nos eventos participar como competidor e aproveitava para vender nossas pipas”, afirma Letícia.

De acordo com Wendel, o preço da pipa varia de acordo com o tamanho, que vai de 45 a 70 centímetros. A estampa e o recorte, que personalizam ainda mais o produto, também entram na composição do preço final do produto.

Sonhos

Além de ver o brinquedo amado se tornar uma atividade rentável, o casal também alimentava o sonho de abrir a própria loja, o que acaba de se tornar realidade. “Nossa casa viva cheia de materiais usados para confeccionar as pipas. Era papel para todo lado. Nossa casa era uma bagunça”, brinca Letícia.

“Era um desejo nosso abrir a loja e, com o aumento da procura pelas nossas pipas, o que nos incentivou muito, criamos coragem e estamos aqui trabalhando bastante”, afirma Wendel.

E para dar conta de atender aos pedidos e abastecer a loja, o casal já contratou mais um jovem para colaborar com os trabalhos. “Vêm pessoas de toda a Grande Vitória e até de outros Estados procurar as nossas pipas”, afirmam.

De crianças a adultos, a loja vive movimentada. Um dos clientes é o pequeno Bernardo Matheus, de nove anos. Morador de Cariacica, região Metropolitana da Grande Vitória, ele veio de longe para conhecer a loja. Com os olhinhos brilhando, diz que nunca tinha visto tanta pipa. “Quando minha mãe disse que iria me trazer numa loja de pipas, achei que ela estava brincando. Nem sei qual eu levo, são muitas opções”, acrescenta Bernardo, perguntando ainda para a mãe se ele podia levar, além da dele, mais seis para distribuir aos amigos do condomínio em que mora.

Pipódromo

Foto: Thais Gobbo

A segurança é uma preocupação do casal. Por isso o sonho deles é ver na cidade um local em que possam soltar pipa sem riscos, um pipódromo. Espaço que também pode sediar eventos, festivais e campeonatos, em áreas abertas e longe de redes elétricas e do movimento de veículos, ciclistas e pedestres.

Eles afirmam que atualmente é no município da Serra, num local chamado de Forte Leve, o melhor local para praticar a brincadeira, na Grande Vitória. Wendel explica que, em Vitória, os amantes da pipa têm poucos espaços para brincar.

O Cemitério de Maruípe é um local muito procurado para a brincadeira, por ser bem aberto. “Aqui no Espírito Santo tem poucos acidentes como em outros locais. O sonhado pipódromo aqui está distante, mas a gente brinca buscando sempre espaços abertos, longe da rede elétrica, por exemplo”, destacam.

Segurança 

A segurança é um item que tem de ser levado muito em conta quando a brincadeira é soltar pipas. O engenheiro de construção e manutenção da EDP Espírito Santo, Rafael Rigamonte, destaca que, como em qualquer outra brincadeira, é preciso ter muito cuidado com a rede elétrica. “Qualquer brincadeira próxima à rede elétrica exige muito cuidado. Ali, muitas vezes, estão passando 11 a 15 mil volts. A própria linha da pipa é suficiente para conduzir energia elétrica, colocando em risco a vida de quem está segurando essa linha”, alerta.

Rafael recomenda que, ao soltar pipa, é necessário buscar um local aberto, longe das redes de postes ou cabos de energia, para que a brincadeira seja segura. Fica a dica  #SeLigaNaSegurança.

Geisiane Teixeira

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