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Ateliê de Ideias aprova projetos junto ao Procon de Vitória

Ateliê de Ideias - Ponto Solidário

Desafios são sempre bem vindos, principalmente quando vêm para aperfeiçoar boas
ideias, replicar experiências positivas e contribuir com novas iniciativas. São desafios com estes propósitos assumidos pela Associação Ateliê de Ideias, neste início de 2019, que aprovou três projetos no edital do Fundo Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (FMPDC) do Procon de Vitória.

São propostas, já em execução, que buscam contribuir com a sustentabilidade, o desenvolvimento social e econômico e o consumo consciente na capital.

Os projetos Ponto Solidário, Economia do Bem e Catadores são Educadores estão sendo executados pela Associação Ateliê de Ideias em parceria com a Prefeitura Municipal de Vitória, através da Secretaria Municipal de Cidadania, Direitos Humanos e Trabalho (Sencid) e do Procon Municipal.

A meta é replicar iniciativas que já deveram certo, como o banco comunitário Banco
Bem e as Centrais de Compras, projetos desenvolvidos no Território do Bem, em
outros bairros da Capital. E ainda contribuir para a coleta seletiva do município através de uma ação direta com as três associações de catadores de materiais recicláveis de Vitória – Ascamare, Amariv e Amarv.

“As experiências já aprovadas pelas comunidades onde atuamos no Território do Bem podem ser aplicadas em outros bairros. E os moradores querem contribuir para que as iniciativas deem certo e resultem em garantia de direitos, em desenvolvimento social e em qualidade de vida. E toda nossa equipe está empenhada em fazer um bom trabalho com resultados positivos para a cidade de Vitória”, afirmou Leonora Mol, coordenadora do Ateliê de Ideias.

Saiba mais sobre cada um dos projetos:

Economia do Bem

Parceria incentiva pequenos negócios e consumo consciente no Território do Bem

O projeto Economia do Bem acontece no Território do Bem com ações de capacitação para pequenos comerciantes e consumidores, qualificação para jovens empreendedores e, ainda, vem ampliar o acesso de moradores e visitantes do Território nos aplicativos Mapa do Bem e da moeda eletrônica Bem e-dinheiro.

Economia do BemO projeto está acompanhando e assessorando as três Centrais de Compras já existentes no Território com qualificação profissional para 40 pequenos comerciantes associados. As Centrais de Compras trazem aos pequenos empreendedores locais uma melhor estruturação de seus negócios. Eles se juntam e fazem um volume de compra maior do que sozinhos, desse jeito negociam melhores preços. “Comprando mais barato, podem vender mais barato e oferecer serviços e produtos melhores aos moradores lá no alto do morro”, esclarece Leonora Mol.

Serão mais de 40 horas de oficinas de capacitação e a participação vai contar pontos para a participação no Prêmio de Empreendedorismo, um edital contemplará até dez comerciantes com projetos e assessoria técnica para a reforma e melhoria do visual dos pontos de comércio. Em março e abril aconteceram duas oficinas , Oficina de Capacitação, Oficina de Educação e Gestão Financeira e a Oficina Planilhas Financeiras e Formalização, respectivamente.

“Para nós, comerciantes, é maravilhoso ter esse tipo de oficina aqui no Bairro. A aula veio abrir nossas mentes, porque a comercialização de produtos e serviços aqui ainda é muito fraca. Agradeço pela oportunidade”, disse José Paulo Cordeiro, proprietário do Bar do Zé Gordinho.

“A Oficina foi edificante porque eu precisava aprender sobre o tema. Tudo que aprendi hoje vou colocar em prática no meu comércio, na minha casa e na minha vida!”, enfatizou Roseana Paz, proprietária da Rose Lanches.  

Economia do BemEsses são relatos de participantes da Oficina de Educação e Gestão Financeira que aconteceu dia 11 de março, para comerciantes filiados à Central de Compras de Jaburu.

Em outra frente, o Economia do Bem vai qualificar mais 80 empreendedores e consumidores sobre legislação básica e regras atribuídas aos pequenos negócios. Outra oficina de Empreendedorismo prevê a participação de 40 jovens, que terão direito a bolsa de estudos por três meses, e a formação abrangerá temas como marketing, mercado de trabalho e consumo consciente.

Aliado ao uso de novas tecnologias, o Projeto Economia do Bem também vai estimular o uso aplicativo da moeda eletrônica “Bem e-dinheiro”, emitida pelo banco comunitário do Território, o Banco Bem, que busca estimular o desenvolvimento social e econômico da região. A ideia é atrair 300 novos usuários para o app e-dinheiro e expandir a sua função original para um banco social sem agências, com alcance ilimitado, que promove inclusão financeira.

“O app foi projetado para funcionar em qualquer celular, tendo ou não acesso à internet. Basta se cadastra, selecionar seus contatos para enviar ou receber dinheiro, e começar a fazer transações bancárias”, ressaltou Gê Cassilhas, coordenadora do Banco Bem.

E para dar visibilidade e acesso ao comércio e produção do Território, o Economia do Bem vai investir no aplicativo Mapa do Bem, um guia gastronômico e cultural que ajuda moradores e visitantes a encontrar produtos e serviços, como chegar aos comércios e como efetuar as compras. Serão mapeadas 100 iniciativas empreendedoras do território, melhorando a usabilidade do app e ampliando sua área de cobertura. “A ideia do Mapa é fazer com que as gostosuras e atrações do Território do Bem sejam facilmente encontradas!”, destacou a coordenadora de Qualificação do Ateliê de Ideias, Sheila Nogueira.

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Catadores são Educadores

Valorização dos catadores, educação ambiental e consumo consciente são metas do projeto

Sustentabilidade é o foco principal do projeto Catadores são Educadores. Ele envolve as três associações de catadores de materiais recicláveis do município de Vitória na tarefa de promover consumo consciente e educação ambiental, ampliação e qualificação da coleta seletiva e a valorização e inclusão de trabalhadores que atuam na coleta em associações ou diretamente nas ruas.

Catadores são educadores

O projeto acontece em três etapas. A primeira delas é dedicada à educação ambiental. Membros das Associações vão realizar palestras em condomínios, associações de moradores e outros espaços sobre consumo consciente e sustentável. Também serão produzidos vídeos educativos para contribuir no processo educacional e de mobilização dos moradores. Um dos objetivos é dar
mais visibilidade ao catador, aproximá-lo do morador, e assim ampliar o conhecimento da sua importância para a sustentabilidade da cidade.

Na segunda etapa do projeto, as associações vão realizar a coleta seletiva diretamente em condomínios, no comércio local, instituições públicas e outros espaços que tenham descarte de materiais recicláveis. A proposta é ampliar a quantidade e a qualidade do material coletado diretamente do consumidor. Para ajudar nesta tarefa, o projeto está destinando às associações três caminhões, com motoristas e gasolina. E as rotas da coleta foram previamente estabelecidas.

E na terceira e última etapa, o projeto vai trabalhar para incluir catadores autônomos, que fazem a coleta diretamente nas ruas, nas associações organizadas. O objetivo é contribuir para a sua segurança no trabalho e também melhorar a sua remuneração.

Ponto Solidário

Comunidades se unem por projetos de desenvolvimento local

Ponto Solidário

Não é de hoje que moradores de comunidades de baixa renda criam soluções inovadoras para a subsistência de suas famílias. Isso acontece, por exemplo, em Bairro como de Andorinhas, Santa Martha e Mangue Seco, em Vitória. Lideranças comunitárias e moradores buscam iniciativas que possam contribuir com o desenvolvimento social e econômico de seus Bairros.

Ponto solidárioO Ponto Solidário vem criar e acompanhar uma Central de Compras, formada por empreendedores da Região de Andorinhas, Santa Martha e Mangue Seco, e ampliar as atividades Banco Comunitário, Banco Bem, para atender moradores desses Bairros. A ideia é fornecer serviços financeiros solidários para os moradores de baixa renda, aumentando a circulação de riquezas e o consumo local e atraindo novos usuários para o aplicativo “e-dinheiro”- moeda social eletrônica.

Segundo a coordenadora do Ponto Solidário, Gê Cassilhas, os Bancos Comunitários agregam valor aos programas sociais e políticas públicas de combate à pobreza e desenvolvimento social e econômico e implantam estratégias que contribuem para dinamizar e aquecer as economias locais, estimulando o consumo local, o que fortalece os pequenos comércios e estimula o empreendedorismo. “Só uma instituição financeira democrática, criada com o protagonismo da comunidade pode ajudar a combater às desigualdades e promover a justiça social. Os Bancos Comunitários nasceram para ser essa alternativa. Logo expandir essa tecnologia no município de Vitória, é essencial para colaborar com o desenvolvimento sustentável das comunidades”, explicou.

Aos 61 anos, estudante de Serviço Social e liderança comunitária ativa em Andorinhas, Maria Bernadeth, mais conhecida como Bela, vê com entusiasmo a chegada do Ponto Solidário na Região. “Conheci o Banco do Bem no ano de 2005 e percebi que tínhamos as mesmas ideias. Que era ter uma comunidade empreendedora, capaz de gerir seus próprios negócios incentivar o cooperativismo”, disse.

Outra frente de trabalho será a criação da de uma Centrai de Compras. No dia 02 de maio, o Projeto Ponto Solidário apresentou a empreendedores dos bairros Andorinhas, Santa Martha e Mangue Seco a proposta de criação de uma Central de Compras. Os comerciantes entenderam a iniciativa como uma possibilidade de suporte para a manutenção e fortalecimento de seus pequenos negócios, as vantagens e o porquê de se unirem e se articularem em rede.

Ponto SolidárioNeide Castro e o marido José Carlos, o Junior, estiveram da reunião. Eles têm uma barraquinha de petiscos e bebidas. Os mais vendidos são caldos e porções.  Ela acredita que participar da Central de Compras fará seu negócio ser mais rentável e a iniciativa ajudará nas relações de consumo dos bairros. “Temos a oportunidade de nos capacitar para melhorar a gestão do nosso negócio e o atendimento aos
clientes, e isso refletirá nas vendas”. 

A próxima reunião acontece no início de junho. Segundo Denise Barbieri Biscotto, coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento Comunitário do Ateliê de Ideias, na ocasião será construído coletivamente um regimento interno da Central de Compras de Andorinhas, Santa Martha e Mangue Seco. “O documento será elaborado pelos próprios comerciantes, onde constará o modo de funcionamento da Central e os objetivos da iniciativa”, esclareceu.

O Ponto Solidário irá oferecer aos comerciantes associados à Central de Compras, 40h de Oficinas de Capacitação a partir dos temas priorizados pelos comerciantes. Será lançado, também, um Edital de Prêmio de Empreendedorismo que vai contemplar até 10 comerciantes da Centrai de Compras com a contração de arquitetos para elaboração de projetos de melhoria do estabelecimento.

Marina Filetti

Jornalista formada pela Ufes, com especialização em Gestão Cultural pelo Ifes/Ministério da Cultura. Atua a mais de 20 anos em projetos socioculturais, como a Varal Agência de Comunicação.
Marina Filetti

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